Principal nascente do Rio São Francisco secou pela primeira vez na história


A nascente principal do Rio São Francisco secou pela primeira vez na história e os reflexos desse fenômeno preocupam os Municípios. A cabeceira do rio está no Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas, Região Centro-Oeste do Estado. Chamado de Velho Chico, o rio é um dos mais importantes cursos d’água do Brasil e de toda a América do Sul. Ele se estende por 2,7 mil quilômetros, em cinco Estados – Minas, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Sua bacia hidrográfica alcança 504 Municípios, incluindo Municípios de Goiás e o Distrito Federal.
No próximo dia 4 de outubro, o Velho Chico completa 513 anos, segundo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). E por conta da falta de chuva, o Sudeste brasileiro enfrenta a pior estiagem dos últimos anos. No entanto, esse não é o único problema que tem levado o Rio São Francisco a secar. Segundo a prefeitura mineira de Pirapora, a falta de gestão e o mau uso também causaram o atual cenário catastrófico. A equipe técnica da Confederação Nacional de Municípios (CNM) esteve no Município no dia 25 de setembro, e pode ver de perto a gravidade da situação. A entidade estava reunida com os integrantes da Associação de Municípios da Bacia do Médio São Francisco (Ammesf), e o prefeito de Pirapora, Heliomar Valle, que é um dos fundadores da Associação.
“O rio está quase seco”. Com essa expressão, os representantes da Confederação confirmaram a informação divulgada pelo chefe do Parque Nacional da Serra da Canastra, Luiz Arthur Castanheira, no início da semana passada, dia 23 de setembro. Conforme esclarecimentos da prefeitura, a vazão do Rio, que era de 500 metros cúbicos por segundo, no início do ano, começou a diminuir e passou para 200 metros cúbicos.
“O problema é grave com perspectiva de se tornar mais grave porque não há prognóstico de chuva em curto prazo”, contou o prefeito de Pirapora. Ele esclareceu que a medida em vazão do rio diminui o que significa menos água, mais banco de areia e maior dificuldade  e custo para captação de água. “A
situação nos preocupa sobremaneira”, relatou Valle. O gestor tem se reunido com prefeitos da região, que já estão sofrendo com a falta de água. Mas, para o prefeito o problema da falta de chuvas “se soma ao desmatamento, ao assoreamento de nascentes, a falta de proteção das veredas, e a falta de modernização do processo de agricultura irrigada, indústria e de consumo humano”.
Impacto
Conforme informações da Assessoria de Comunicação do Município (Ascom) de Pirapora, a prefeitura já havia detectado que essa redução da vazão iria prejudicar, e muito o abastecimento da cidade.  E a Ascom contou a Agência de Notícias CNM que só não está havendo falta de água no Município porque a prefeitura realizou nos meses de maio e junho, uma obra emergencial, um segundo canal de capitação de água.
O sistema construído está garantido, pelo menos temporariamente, o abastecimento de água. “Se a situação é essa aqui em Minas, que é responsável pela geração de 70% das águas do rio, imagina no Nordeste, nas prefeituras em que não há geração de água, e contam apenas com o São Francisco”, alertou a Ascom de Pirapora. Situação essa que coloca em alerta todas as comunidades ribeirinhas, diante da possibilidade de racionamento de água ao longo do chamado rio da integração nacional – maior curso d’água que nasce e deságua em território nacional.
Medidas
O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Anivaldo Miranda, alertou que medidas emergenciais devem ser tomadas para promover o uso racional da água na bacia. Ele lembra que a situação das nascentes também se reflete no nível crítico dos reservatórios de usinas, como a de Três Marias, que está com apenas 5,7% de sua capacidade. De acordo com a prefeitura de Pirapora, um estudo sinalizou que o volume do rio na região de Três Marias só será recuperado ao longo de 10 anos.
As estimativas também não são favoráveis na Capital do Estado, Belo Horizonte. A região também enfrenta os reflexos da seca mais severa dos últimos 104 anos. Dados preliminares do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que mesmo que ainda chova até dezembro, a média de água deve ficar 24% abaixo da média anual.
 
 
Fonte Diário do Brejo
Compartilhe no Google Plus

Sobre rivaildo

Texto.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários: