Filho de Cássio revela ‘conselhos’ da mãe para não entrar na política

Sujeito de fala mansa e recatado, o advogado Pedro Cunha Lima ganhou ‘visibilidade’ no Estado após ocupar a tribuna do Senado Federal para, em versos, homenagear o ex-governador Ronaldo Cunha Lima (in memorian), de quem é neto. Sua performance no Congresso Nacional, a mais cobiçada tribuna do país, fez Pedro ser ‘visto’, e mais do que isso: fez ele ganhar o reconhecimento pelo talento de orador, embora que iniciante, mas com uma desenvoltura de muitos veteranos.

Filho de uma das mais influentes figuras da política paraibana, Pedro Cunha Lima, conviveu por muitos anos com a certeza de que não enveredaria pelo campo da política. Para tanto, contava com a ‘torcida’ da zelosa mãe, Dona Sílvia Almeida, que desde cedo o orientava a trilhar por outro caminho.

Em entrevista exclusiva ao MaisPB, Pedro fala de seu interesse pela política, da possibilidade em disputar um mandato nas eleições deste ano e, dentre outros assuntos, se o fato de pertencer a uma das mais tradicionais famílias da política paraibana o atrapalha ou não no início de sua trajetória política.

Abaixo, leia a entrevista concedida ao MaisPB:

Quem é Pedro Cunha Lima?

Pedro Cunha Lima é um advogado, recém-formado, que acaba de retornar da primeira etapa do Mestrado em Coimbra, fiz esse Mestrado em Direito Constitucional, e como optativa eu coloquei a cadeira de Direito da Energia e Direito Civil e isso foi sempre um sonho meu por conta da minha vontade, talvez a vocação que primeiramente eu identifiquei em mim, que é de ser professor, tenho um enorme sonho, um desejo enorme de ser professor e assim que me formei fui fazer esse Mestrado em Coimbra, uma experiência realmente inesquecível. Gosto de tocar um violãozinho de vez em quando, gosto um pouco de poesia também e de conversar com minha mãe, com amigos, familiares e tento manter esse meu jeito pacato, sereno de ser.

Como é que surgiu o interesse pela política? Você tem laços familiares, tanto do seu pai, como da sua mãe, de personalidades que já militaram na política, mas como é que surgiu esse interesse, esse pontapé inicial para que você mergulhasse no campo da política?

Tudo isso é muito recente, minha mãe sempre fez um trabalho muito firme de não permitir que eu enveredasse na política, por conta do stress que causa e as dificuldades que todos nós sabemos que o político enfrenta. Mas, a partir do ano passado, depois de um pronunciamento que eu fiz ao meu avô no Senado, uma homenagem de coração ao poeta que o meu nome começou a ser lembrado e as pessoas chegavam pra estimular e dizer, vá siga em frente, você também pode dar a sua contribuição e isso aí começou a mexer comigo, essa sinergia começou a circular, depois do falecimento do meu avô aumentou muito e aí eu percebi que eu não posso dar as costas a esse pontapé inicial que eu tive, esse ponto de partida com tudo que meu avô fez, uma vida dedicada a política com muita seriedade, com muito compromisso, depois, meu pai, que também começou muito novo e tem uma trajetória de compromisso, de trabalho sério com a política, aí percebi que eu também deveria dar a minha contribuição, dentro do meu alcance, dentro dos meus limites e se Deus quiser, vamos seguir aí, coloco meu nome à disposição, sou pré-candidato hoje, as convenções acontecerão agora, no mês de junho, a do PSDB especificamente no dia 29. Coloco meu nome à disposição, se for homologado pelo partido, seguiremos trilhando esse caminho.

Você é lembrado, como você falou, para a disputa por uma cadeira na Câmara Federal. Se sente preparado para disputar o mandato, que é cobiçado por muitas figuras da política paraibana?

Eu já me subestimei muito, hoje não. Acredito que a minha formação em Direito contribui, conheço com muita propriedade todo o procedimento legislativo, todo o trabalho que a Câmara desempenha, conheço com muita intimidade também a Constituição, nossas leis e isso me dá uma confiança. Com o Mestrado em Coimbra, também arejou muito a minha cabeça no sentido do Direito Constitucional, da organização do Estado, a organização dos poderes, consigo perceber o tamanho da crise institucional do Brasil e somando isso à vontade de fazer um trabalho sério, sendo a fiscalização do poder executivo também a atividade típica da Câmara dos Deputados, às vezes as pessoas concentram muito a legislação na formação das leis, mas a fiscalização é tanto quanto isso a função típica da Câmara e do Senado também, do Congresso Nacional, como um todo. Então essa minha vontade de fazer um trabalho sério, com transparência, aproximando a sociedade, isso me dá um conforto em dizer que estou preparado e por isso sou pré-candidato.

Ser filho do senador Cássio, ex-governador, neto do também ex-governador Ronaldo Cunha Lima, isso atrapalha ou ajuda, ficar à sombra de pessoas tão importantes na política da Paraíba? Como é que você encara isso, Pedro?

Triplica a responsabilidade porque tenho referências de um enorme grau de envolvimento, de dedicação, de seriedade, então eu mesmo me cobro pra fazer um trabalho bem feito. A referência do poeta é algo de difícil alcance pela dedicação, ele se envolveu com as pessoas que o acompanhavam, todo muito que chegava a ele com muita proximidade, com um esforço de atender enorme, então triplica a responsabilidade e a referência que fica muito bem guardada, muito bem viva todos os dias.

E quanto à participação dos jovens na política. Você tem 25 anos, como é que você encara a participação dos jovens na política, e se você enquanto jovem dessa nova safra de políticos defende ou não o voto obrigatório?

Encaro com confiança, é preciso que haja uma renovação, é preciso que haja um envolvimento da juventude, é algo que nós temos perdido nos últimos anos, agora reanima a chama da participação da juventude pra mudar as coisas. Isso anima muito, essas manifestações por mais que exista um viés de quebra-quebra, que a gente não pode jamais aplaudir, mas esse empoderamento da sociedade, de dizer que tá atenta, de dizer que tá fiscalizando, não existe mudança sem a participação da sociedade e o jovem cumpre um papel importantíssimo nisso. Quanto ao voto obrigatório, eu acredito que não pode haver indiferença, eu venho de Portugal, passei oito meses no Mestrado lá, lá o voto não é obrigatório e as pessoas levantam essa bandeira para ser porque lá existe uma indiferença da população, e esse é o pior dos cenários. Quando a população se coloca indiferente distancia e muito a nossa capacidade de mudança, de melhorar as coisas, então o voto obrigatório não é ponto determinante, o que é preciso é que as pessoas valorizem mais o seu voto, escolham com mais cuidado os seus candidatos e aí corroboro da ideia de Aécio em acabar com as reeleições e fazer eleição a cada cinco anos. Acredito que assim teremos menos eleições, ou seja, menos politiquês, essa novela, esse rame-rame, de aliança, que gera um desgaste enorme, que gera um gasto enorme de energia em um lugar que não muda a vida das pessoas, essa novela de fulano fica com sicrano, partido tal está aliado a tal, estas negociatas, não é disso que nós precisamos, então com o fim da reeleição, com uma eleição a cada cinco anos, as pessoas iriam às urnas menos vezes e talvez valorizariam mais os seus votos, então acredito que essa pode ser uma boa mudança e não esse debate mais abstrato se o voto é obrigatório ou não.
 Por: Ivan Filmagem
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