Mulheres plus size explicam que se pode ser gordinha, saudável e feliz sendo você mesma

Bem sucedidas, mulheres plus size explicam que se pode ser gordinha, saudável e feliz sendo você mesma

A sociedade desde muito tempo tem ditado padrões para tudo, seja para se vestir, se comportar e até que corpo você deveria ter para ser chamado de normal. E os estereótipos que se fundam por esta coletividade podem causar traumas e o bullying para aqueles que não seguem as ‘normas’.


Um grupo que vem correndo por fora e que não liga mais para este padrão são as mulheres plus size que estão mostrando que podem ser saudáveis, felizes e não se importar com regras pré-estabelecidas da moda para ser magra, infeliz ou traumatizada.


A modelo e editora do Blog Paraíba Plus Size, Berlanya Brito explica para o PB Agora em entrevista o que significa o termo plus size:


“Plus Size (tamanho mais, ou seja, tamanho maior) é considerado pela moda a partir do manequim 44. Essa tendência surgiu nos Estados Unidos na década de 70, onde revistas passaram a dar dicas e conselhos sobre as mulheres mais cheinhas”.


Indagada sobre a dificuldade de encontrar uma roupa adequada para seu corpo e ainda sim ficar bonita e elegante, Berlanya e sua companheira de Blog, Lucila Helena Farias, gerente de marketing de uma empresa multimídia revelaram que apenas algumas empresas investem no segmento e que as demais não investem em moda plus size.


“No mercado paraibano há um pequeno crescimento e a mídia também está abrindo espaço, reconhecendo o segmento, respeitando, mas ainda não há um entendimento comum de que não queremos usar qualquer peça. Queremos roupas de qualidade, com bom caimento, tecidos bons, que sigam as tendências da moda. Afinal nós gordinhas somos vaidosas e consumistas”, explica Berlanya.


Lucila destaca que sente dificuldade para encontrar lingeries com modelagem distinta em tamanho e largura grande.


“Sinto muita dificuldade em encontrar lingeries bonitas e transadas em tamanhos grandes! Atualmente, tenho adquirido com uma parceira do blog Paraíba Plus-Size que sempre trabalhou nesse ramo, e com sua visão de mercado, começou a pedir peças maiores e a fazer pequenos eventos para as clientes acima do peso”.


A desculpa para que o segmento não tenha o devido espaço, apesar de ter um grande grupo consumidor é dos próprios logistas, segundo Berlanya.

“Hoje a maior desculpa de alguns empresários é a seguinte: ‘Queria muito atender a todo tipo de público feminino, mas os fabricantes só fornecem até certa numeração. Desculpe’. Puro preconceito! Pois, o que mais fazemos é pesquisar e não acreditamos nessas desculpas esfarrapadas. Nós meninas sabemos que existem uma infinidade de marcas e muitas delas feitas exclusivamente para nós. Era bacana os empresários pesquisarem mais. Encontramos várias dificuldades. As cruciais são: 1- Poucas lojas vendem acima da numeração 50, ou seja, as meninas que vestem acima dessa numeração não têm nem como ter um estilo próprio, pois compram o que lhes cabem. Muitas vezes tem que usar a criatividade; 2- Para as meninas adolescentes que querem usar shorts transados, roupas descoladas infelizmente só encontram peças que desvalorizem, que as envelhecem; 3- O custo elevado das peças que muitas utilizam como desculpa, mas no Estados Unidos e em Londres essa diferença por levar mais tecido não existe. Então quem veste 36 paga mais barato pela mesma peça de quem usa 44? Não existe!! ; 4- Se complicado achar roupa aqui na capital, já pensou nas meninas que vivem no interior? Só mandando fazer ou comprando pelos sites que a despesa com o frete é custosa. Infelizmente os lojistas paraibanos não acordaram para o e-commerce.


Indagadas sobre quais as cores, tecidos e texturas que valorizam o corpo plus, ambas destacaram que não há uma verdade absoluta como decote em V ou o preto emagrece, outras atitudes inteligentes podem ressaltar a beleza plus de qualquer mulher.


“ Particularmente, nunca liguei nem levei fé nas afirmativas de que preto emagrece e que estampas ou listras horizontais não são ideais, pelo contrário, adoro peças coloridas, floral e animal print (principalmente oncinha). 


Berlanya Brito e Lucila Farias




Uma dica bacana é evitar o floral/estampa em detalhes grandes. Quem tem muito busto, pode abusar das estampas no quadril, e pra quem tem quadril largo, o segredo é usar estampa na parte de cima”, explica Lucila.


“Uma coisa é certa, não é porque você é gorda que não é bonita. Infelizmente muitas pessoas não conseguem entender isso. O bacana desse segmento é que ele busca a valorização da mulher, busca achar beleza na diferença, seja magro, baixo, gordo, alto. Mexe muito com a autoestima. Então isso de ditar que gordinha tem que usar preto, calça de cintura alta, decote em V. Isso acabou! Em julho em São Paulo terá 2 desfiles mostrando as tendências para o verão plus size e estou apostando que a aposta para estação será: o off-white , o P&B, estampas com flores, frutas, estampas étnicas. Mas que as litras a gente trás para o verão bem como os looks com animais”, salientou Berlanya.


Em relação a um padrão de moda como cabelo, modelo de roupas etc, as meninas destacaram que depende muito do gosto pessoal, mas enfatizaram que o caimento e modelagem têm que ser especial para poder criar um estilo próprio, bonito e que valorize cada pessoa.


Sobre o padrão ‘magra’ não permitir o crescimento das ‘plus size’ as duas informaram que há preconceito, mas que os espaços estão começando a se abrir.


“A mídia impõe isso, mas acredito que as coisas estão mudando. Até por que no Brasil existe isso tudo... fashion week, desfiles em shooping, desfiles de noivas, vários eventos são realizados nesse segmento, vários concursos que valorizem a beleza da mulher plus size. Editorias, catálogos, looks book. Cada coleção que chega na loja elas fazem coquetel e realizam um mini desfiles para as suas clientes. O problema é que aqui na Paraíba nada disso acontece. Fazer moda aqui já é complicado imagina moda para plus size, já pensou? Na minha humilde concepção falta tudo. Faltam produtores de modas interessados em realizar tal feito, faltam os lojistas nos olharem com um pouquinho mais de respeito e querer fazer algo voltado a esse segmento. Na Paraíba não tem agências de modelos plus size. É necessário dar a cara à tapa e mostrar que somos tão boas quanto às modelos de fora. As lojas não divulgam e quando divulgam, tem banners prontos com modelos de fora (é aquela velha história valorizam o de fora). Quando aparece desfiles em tv ou algo do tipo colocam até vendedoras para desfilarem tudo pra não pagar cachê. Muitos trabalhos são feitos por “amizade ou troca”. Ou seja, a loja em si acaba “pagando mico”. Modelo é fundamental, pois é o cartão de visita da loja”, diz Berlanya.


Berlanya já foi Miss Paraíba Plus em um concurso de Miss Brasil Virtual e avisou que está ocorrendo seletivas para o Miss Brasil Plus Size Oficial e dá a dica para as paraibanas se increverem através do site: www.mbps.com.br na parte superior tem o link “faça a sua inscrição.” Inclusive será feito o 1 Mister Brasil Plus Size Masculino.

Sobre o blog, Berlanya conta um pouco da trajetória:


“Como fui escolhida a Miss Paraíba Plus Size e tinha algumas meninas que me acompanhavam e torciam por mim através do Orkut, uma em especial me chamou atenção a Jaqueline dos Anjos que me falou: ‘Berlanya, você não pode parar, nós precisamos de você.’ E confesso que o que ela me falou, fez com que eu pensasse bastante. Mesmo virtualmente sou a única representante nascida na Paraíba (em alguns concursos a Paraíba sempre é homenageada) e por ser a representante me senti na obrigação de fazer alguma coisa por essas meninas, e como fazer? Observando os blogs de moda do Estado, vi que era muito raro as postagens sobre o plus size. E como a internet é uma “arma” e a grande maioria tem acesso, tive a idéia de criar um blog exclusivamente para esse segmento”, explicou.


O PB Agora quis saber : o que faz alguém ser plus size?


Lucila: No meu caso, nascença, questões hormonais e ansiedade, mas conheço pessoas que eram magras e ficaram com o passar do tempo, e compreendo perfeitamente, pois estamos sempre encarando situações/sensações novas, e o corpo e o emocional acompanham nos processos.


Berlanya: Vários motivos, a genética, problemas de saúde (depressão, hormonal, stress), psicológicos com relação a autoestima, má alimentação. Enfim vários fatores.


O que faz alguém se manter plus?


Lucila: Priorizar a qualidade de vida, não apenas a beleza estética, porque sabemos que algumas pessoas, por mais que façam isso, jamais estarão dentro dos ditos padrões ideais.


Berlanya: No meu caso por ser miss, modelo e blogueira plus muitas meninas me têm como referência então, tenho que manter o manequim, é que nem as magrinhas que não podem engordar o meu lado complica porque não posso emagrecer, nem engordar.


Existe alguma relação em ser plus e ter problemas de saúde como taxas elevadas de triglicerídeos, colesterol e glicose?


Lucila: Não, preconceito e ignorância são os culpados por isso. Pratiquei mais esportes e como melhor do que muita gente magra. Raramente bebo refrigerantes, adoro sucos (sem açúcar), desde o início do ano substituí de vez o pão francês por pães integrais (pão francês era minha tentação e meu vício rs) e sempre gostei de comer verduras cozidas, não sou muito fã de saladas básicas, as caprichadas me atraem mais (que geralmente encontro em restaurantes especializados).


Berlanya: O que se tem em mente é que ser magro é questão de saúde e ser gordo não é saudável. Não é bem assim, faço sempre meus exames médicos, e por incrível que pareça tenho pressão baixa e hipoglicemia. Sempre fui gordinha desde pequena e comecei cedo nos esportes aos 3 anos fiz balé, aos 7 fiz natação e pratiquei voleibol por 6 anos. Nunca abandonei a caminhada. Atividade física é primordial a saúde, bem como a alimentação. Nós não fazemos apologia à obesidade. Porque magreza demais e gordura demais é prejudicial que fique bem claro. Ser Plus Size não é só usar manequim a partir do 44, é mostrar para as pessoas a valorização da beleza independe do seu manequim. E esse segmento está trazendo a autoestima da mulher de volta que não se sentia bem por não serem magra.


Vc conhece alguém que foi plus e não é mais?


Lucila: Sim, e infelizmente algumas se tornaram pessoas frias e preconceituosas, mas acredito que isso faz parte de um conflito interno, quem não se aceita, não aceita ninguém. Outros ficaram com sequelas psicológicas e hormonais por conta de cirurgias.


Berlanya: Sim. Tenho amiga que usava 54 hoje ela está num manequim 44. Acho muito válido você querer mudar com saúde. Porque sou contra atitudes drásticas como cirurgias, só se não tiver mais condições e estiver afetando a saúde


Existe alguma plus que deseja ser uma pessoa no peso 'ideal'? (dentro do padrão do IMC-índice de massa corporal)


Lucila: Claro que sim, principalmente as que perderam a qualidade de vida, e é totalmente compreensível.


Berlanya: Claro que tem. Até as mais magrinhas querem ficar mais magras. A própria mulher é assim. Sempre achando um defeito, nunca.

PB Ag
ora

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